Páginas

terça-feira, 28 de maio de 2013

Um olhar crítico sobre "A era pós PC"


Estou postando sobre um artigo interessante referente ao nosso querido computador pessoal ou como conhecemos mais "PC".

Pra começar este artigo foi produzido por um dos mais conhecidos especialistas brasileiros em hardware e redes de computadores, além de autor de best-seller na área. Gabriel Torres

Gabriel Torres - O cara


O artigo se baseia em perguntas sobre a evolução do "PC" e se dependemos ou não de nosso computador pessoal.

Então vamos lá:

Conhecido por seus livros sobre hardware, Gabriel Torres fala das mudanças e tendências no mercado de computadores pessoais

Você acredita que estamos realmente na "era pós-PC"?

Sim e não. Hoje, smartphones e outros dispositivos móveis trazem poder computacional e facilidade de uso que dispensam, para várias tarefas, o uso de um PC convencional. Porém, não acredito que o PC esteja morto. Há ainda muitas atividades nas quais um computador pessoal convencional ainda é indispensável, como a edição de áudio, vídeo, fotos e textos.

Gabriel Torres já publicou 20 livros e lança nova versão de seu best-seller "Hardware"

Qual caminho o PC deve seguir para se manter no mercado?

Ainda há áreas em que o poder computacional de um PC é indispensável e nas quais o uso de tablets e smartphones é impossível. Tais áreas, porém, são "profissionais" ou "especializadas". Há, ainda, usuários "comuns" que preferem tela maior e para esses usuários o PC continuará firme e forte. Uma tendência é a incorporação de telas sensíveis ao toque e movimento, tais como as usadas em smartphones e tablets. Apesar do Windows 8 ter sido lançado para cobrir esta convergência e de haver notebooks com esse tipo de tela, a tecnologia ainda não "deslanchou", e ainda não é popular no PC.




Você sempre teve seu trabalho focado no mercado de PC. Você sente a queda nesse mercado? Há uma mudança de rota no seu trabalho em função disso?

O que acontece é que o computador mais simples hoje é poderoso suficiente para efetuar as tarefas mais comuns. Outro aspecto é a queda do preço dos computadores. Com isso, o computador passou a ser como um eletrodoméstico e isso está se refletindo no mercado. Há 15 anos, o usuário brasileiro preferia montar o seu próprio computador porque a diferença de preço entre um montado e um "de marca" era grande. Naquela época, computadores de marca detinham apenas 5% de participação de mercado; 95% dos computadores eram "montados". Hoje a situação é outra: quase não há diferença de preço. O mercado do "monte você mesmo" continua existindo para o usuário mais avançado ou profissional que quer um computador acima da média. Além disso, o preço dos portáteis caiu muito, e muita gente acaba comprando um notebook. Essa queda na procura dos computadores "montados" com certeza afetou a venda dos meus livros. Mas é importante entender que ela não foi a única. O maior problema é cultural. As pessoas simplesmente não estão mais lendo. A nova geração quer tudo em 140 caracteres ou menos. E daquelas que querem ler, muitas não têm dinheiro e muitas não querem gastar com livros. Especialmente no Brasil, muitas pessoas acham que livros (assim como músicas e filmes) têm de estar de graça na internet. Nos EUA, quando alguém diz "vou baixar uma música", 99% das vezes isso significa que ele vai comprar a música no iTunes ou na Amazon.com por 99 centavos. No Brasil, 99% das vezes significa que ele vai baixar um arquivo pirata. Quanto a se houve alguma mudança na rota do meu trabalho, não diretamente, pelo menos ainda. Temos pensado em lançar meus livros no formato e-book, mas temos receio da pirataria.

Depois do bom e velho desktop, veio a popularização dos notebooks, depois os netbooks, agora os tablets e smartphones. Segundo o CEO da BlackBerry, ThorstenHeins, os tablets estarão "mortos" dentro de cinco anos. Você acha isso uma evolução natural? O que pode vir depois?

A história dos tablets é curiosa. Já existiam por alguns anos até a Apple decidir lançar um. Aí todo mundo queria ter um iPad. Então, na minha opinião, os tablets estarão vivos enquanto a Apple disser que eles estão vivos. E o modismo que virá depois disso será qualquer coisa que a Apple lançar e disser que é "maneiro" ter. Agora, é muito oportuno você ter citado o CEO da BlackBerry para provar o meu ponto de vista, pois a BlackBerry é um excelente estudo de caso. Os aparelhos dessa empresa tinham cerca de 40% de participação no mercado norte-americano. A chegada do iPhone e dos smartphones baseados no Android desbancaram esta empresa, e hoje a BlackBerry tem apenas 5% de participação de mercado. Então, não acho que o CEO dessa empresa seja a pessoa mais qualificada para falar sobre o assunto. Não estou querendo pegar no pé da BlackBerry. Vejo apenas a história se repetindo. Foi a mesma coisa que aconteceu com a Motorola, que foi desbancada pela Nokia quando os celulares digitais (agora chamados 2G) chegaram, e com a própria Nokia, que foi desbancada quando os smartphones (celulares 3G) chegaram.

No auge da "era PC", a grande novidade eram os processadores cada vez mais potentes. Hoje, já vemos até aparelhos celulares de oito núcleos (como o Galaxy S4) e se fala na obsolescência da Lei de Moore. Para onde estamos caminhando?

A Lei de Moore continua firme e forte. Mas, como atualmente mesmo o processador mais simples é capaz de atender às necessidades do usuário comum, a questão toda agora é haver software voltado a usuários "comuns" para explorar todo o potencial dos processadores.

Você considera positiva as mudanças introduzidas pelo Windows 8 e as que devem ser feitas na próxima atualização, o Windows 8.1? A Microsoft está no caminho certo?

A ideia da Microsoft com o Windows 8 foi criar uma interface padronizada tanto para computadores pessoais quanto para smartphones e tablets. O grande problema é que o Windows Phone tem apenas 3% de participação de mercado nos EUA, e possivelmente a Microsoft achou que, se smartphones tivessem a mesma interface que computadores pessoais, mais gente compraria celulares com Windows Phone. Só que a Microsoft simplesmente ignorou o óbvio, o componente emocional da decisão de compra. Ou seja, a ideia só teria sido boa se tivesse gente suficiente que usasse o Windows Phone, o que não é o caso. Com isso, a Microsoft chateou seu principal público, os usuários de computadores pessoais. Pelo o que eu vi, o Windows 8.1 será basicamente um pacote de "correções" para o Windows 8, para deixá-lo mais parecido com o Windows 7. Sinceramente, a Microsoft quase nunca esteve no caminho certo. O que você acharia se você comprasse um carro que vive dando defeito e que o fabricante diz que a solução é você comprar um modelo novo do mesmo carro? Aí você vai, joga fora o carro antigo, compra um carro novo, para só depois descobrir que o novo modelo, apesar de mais bonitinho, também tem problemas, e o ciclo se repete indefinidamente (bem, pelo menos no caso da Microsoft, desde 1981). A questão é que ela tem dinheiro suficiente para convencer as pessoas que este expediente é "correto". Infelizmente, usuários de computadores pessoais, em sua maioria, continuarão usando produtos da Microsoft sem se questionarem o porquê de usar produtos desta empresa.

O que você acha dos computadores com sistemas operacionais baseados na nuvem, como por exemplo o Chromebook, do Google? Isso é uma tendência consistente?

Sim, acredito que seja uma tendência consistente, especialmente com o aumento da velocidade da internet banda larga ao redor do mundo. Isso permite que o tamanho da unidade de armazenamento (SSD) do dispositivo seja menor (mais barato) e permite também que o usuário não precise se preocupar muito com atualizações (que é feita pelo mantenedor do sistema). Até mesmo a Microsoft está abraçando esta ideia, com o seu Office 365.


Até mais ver pessoal continue ligados.

Um grande abraço.









Nenhum comentário:

Postar um comentário